segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

1 de Fevereiro de 2011

Amor... Paixão... Ódio... Ciúmes... E uma linha que os separa. Uma linha tão ténue que parece desaparecer através de olhos molhados. Eu poderia jurar que a amava mais que tudo nessa vida, mas hoje apenas juro que depois de muito amar... nada aprendi. Apenas conheci um novo jeito de fazer tudo errado novamente. Por que eu sempre compliquei tudo? Por que eu jurava amá-la se parte do meu ser queria machucá-la? Por que eu tornei tudo um jogo, tornando minha própria vida um tabuleiro oblíquo, e fazendo dela uma boneca de pano em minha mãos? Por que esse amor que sinto me coroe tanto até hoje?

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Eu pensava que a amizade dela seria suficiente. Pensava que se tomasse pequenas doses de "te amo" todos os dias eu poderia viver com isso até a minha morte. Mas eu estava errado, ou pelo menos queria estar errado. Eu pensava que tinha um amor ágape por ela... mas dessa vez sim, eu estava estupidademte enganado. O meu egoísmo me fez desejá-la só para mim, afinal, amigos são muitos... mas namorado é um só. Eu queria ser único para ela, pois ela era única para mim. Eu tentei me conter e me impedir de dar o primeiro passo em direção a um abismo onde eu já havia caído, mas como sempre, fiz o que o meu coração dizia. Declarei amor incondicional por minha melhor amiga. Um erro mortal que faz meu coração sangrar até hoje. Com o tempo eu simplesmente não conseguia olhá-la sem saber que os meus olhos continuavam gritando e implorando que o suposto amor fosse correspondido. Mas amor não é algo para se implorar. 

De uma hora para outra me afastei dela drasticamente. Quando alguém perguntava eu dizia que não conseguia ficar perto dela porque doía muito. Eu sabia que ela era apaixonada por um dos meus melhores amigos, pois enquanto eu ainda era apenas um amigo eu ouvia os desabafos dela e escondia toda a dor, fingindo que não havia uma estaca atravessando meu peito. Eu dizia a todos que não aguentava vê-la sorrindo ao lado dele. Ele parecia fazê-la feliz de um jeito que eu jamais poderia fazer, porque ela gostava dele. Isso fazia meu corpo estremecer num sofrimento híbrido de raiva e dor. Mas essa falsa dor que deveras eu sentia não era a verdadeira causa do meu distanciamento. Eu queria que ela sentisse minha falta em sua vida, queria fazê-la correr atrás de mim e principalmente queria fazê-la sofrer. Eu estava disposto a usar tudo o que ela sentia por mim contra ela.
De uma hora para outra comecei a odiá-la de uma forma terrível. Eu seria capaz de fazer de tudo para fazê-la pagar por ter me feito sofrer. Só agora eu vejo o quanto eu estava sendo babaca, egoísta e imaturo. Mas infelizmente o tempo nunca volta atrás. Justo eu que já havia perdido uma amiga quase que pelos mesmos motivos. Acabei culpando-a pelo meu falso sofrimento, aquele que eu realmente senti... aquele que eu quis sentir. Durante muito tempo eu jurava para Deus e o mundo que a odiava. Sempre que ela vinha falar comigo eu fazia de tudo para ser o mais desagradável possível, só para ver se ela se magoava de algum jeito.

Acho que nem preciso dizer que toda a minha loucura não me levou a lugar nenhum a não ser nesse lugar sombrio onde minha única companhia é um homem magoado e casmurro, e outro homem que aparenta sem durão e sente raiva de tudo e de todos. Ambos carregam marcas em suas faces, rugas causadas por antigos sorrisos, vestígios de que os dois um dia foram felizes. Ambos fazem parte do que sou hoje. Eu sou esses dois homens.
Sinto-me um velho de 17 anos. Isso esta me matando. Jamais fui sábio, apenas pensei sê-lo. faltou-me sabedoria ao lidar com uma paixão absurda misturada com um egoísmo exagerado, e chamar essa merda toda de amor. Eu só podia estar louco, pois sábio não estava. Escrevi isso hoje porque ela veio falar comigo à pouco, apenas tentando concertar as coisas. À principio eu brincaria com a cabeça dela e deixaria ela mais uma vez confusa e chateada. Essa era a minha intenção. Mas no meio da conversa ouvi uma voz dentro mim... uma voz que eu já conhecia, que me disse: "Você sabe o que eu penso sobre isso tudo, e você sabe que está mais uma vez me desobedecendo. Você não odeia ela e sabe disso. Afinal, foi ela quem abriu o seu coração para que eu entrasse!"
Por isso resolvi pedir a ela um tempo para que eu pudesse colocar tudo no lugar. Preparar-me para recomeçar nossa velha amizade. Sinto-me muito culpado. Culpa tamanha que quero compará-la com a que Judas carregou até seu suicídio. Estou sangrando por dentro. Eu errei mais uma vez. Confundi tudo mais uma vez. Fui ignorante mais uma vez. Eu realmente não sou sábio, nem desejo ser. Afinal, se os sábios não se apaixonam como eles podem saber?

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